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Tudo sobre a região do Anhanduizinho

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Campo Grande, segunda-feira, 28 de setembro de 2026.

na antiga mace

Após ouvir uma série de xingamentos e ofensas racistas, ex-árbitro Alpineu Ramão, pula grade da quadra e segura torcedor pela “goela”

Por Gilson Giordano em 28/09/2026 às 12:17

Árbitro Alpineu Ramão, um dos responsáveis pela evolução e o engrandecimento da arbitragem em MS (Foto: Arquivo)

Recentemente foi registrado caso envolvendo um árbitro de futebol de salão e um grupo de torcedores no Ginásio de Esportes do Colégio ABC, localizado na Avenida Salgado Filho, na Vila Progresso, bairro América, na região do Anhanduizinho.

O árbitro, um policial reformado que teria sacado a arma para se defender, diante da invasão da quadra por parte dos torcedores e pais de alunos registrou no Boletim de Ocorrências, o famoso “B.O.” que durante o jogo válido pela categoria infantil, o mesmo estava sendo agredido verbalmente pelos ditos torcedores que entre os xingamentos depreciativos, também usaram ofensas de cunho racial, tendo chamado o mesmo de “preto safado”.

Esse caso me levou de volta ao famoso “túnel do tempo”, quando a referida modalidade – futsal – era disputado na antiga quadra da Moderna
Associação Campo-grandense de Ensino (MACE), com ótimos times que nas quartas-feiras à noite, ofereciam aos torcedores que se transformaram hoje em inesquecíveis jogos, lotando o local que era localizado na Rua Rui Barbosa com a Rua do então chamado “Córrego” e que agora se chama Avenida Fernando Corrêa da Costa.

Claro que tracei o paralelo pela confusão registrada em uma das partidas, mas esta válida pela categoria adulto.

Como sempre, devido ao avanço da idade, com o desgaste da memória, não recordo mais quais os times que estavam em quadra, mas me recordo do principal protagonista do jogo, que acabou sendo o árbitro Alpineu Ramão (In Memoriam) um dos melhores do Estado de MS, tanto que teve o privilégio de ter sido o primeiro árbitro de futebol a apitar uma decisão em MS e depois, devido ao trabalho, ganhou fama e com isso dirigiu outros jogos igualmente decisivos, principalmente em Cuiabá.

A mesma categoria, conhecimento, posicionamento, visão da sua atuação no futebol de campo, o árbitro Alpineu Ramão levava também para a sua atuação nas quadras.

A quadra da MACE, era “cercada” por uma grade de ferro com mais ou menos 1,50cm de altura, coisa mínima mesmo, mas servia ao menos para evitar que a bola, na época “muito pesada” ao ser chutada por algum jogador, machucasse algum dos torcedores que lotavam as dependências que tinham nos dois lados, lances de arquibancadas.

Os torcedores ia chegando, no entanto, nem todos gostavam de sentar na arquibancadas e muitos deles se debruçavam na grade, mesmo tendo ciência que poderia receber uma “bolada na cara”, mas o mais importante, era ficar ali, para cornetar quem estava em quadra.

Como se sabe, no futsal ou “futebol de salão” nome usado na época, o árbitro apita os jogos na linha lateral, nunca entrando em quadra, a não ser para a contagem dos passos regulamentares da barreira ou para algo igualmente importante.

Tranquilo, o árbitro Alpineu Ramão, usando o uniforme que o diferenciava dos times de futsal – calça branca e camisa preta, tendo no bolso o distintivo a Federação de Futsal de MS, comandava a partida dentro da normalidade, como sempre, com toda segurança e conhecimento peculiar.

Justamente na grade, tinha um torcedor debruçado que cismou em atormentar a vida do árbitro Alpineu Ramão, a quem se dirija empregando também as agressões verbais com os xingamentos depreciativos, também usando as ofensas de cunho racial, chamado o árbitro Alpineu Ramão “preto safado”, entre outras de cunho racial.

Só que, não se sabe na euforia de desabafar com os xingamentos, as ofensas raciais o referido torcedor nem notou que o árbitro Alpineu Ramão de dentro da quadra, ali na linha lateral já havia “enquadrado” o tal torcedor, que não parava com os xingamentos

Acreditando que o Alpineu, a quem eu chamava de “Pina”, claro que, pelo fato de estar comandando um jogo, não esboçou nenhuma reação, o torcedor ficou por ali mesmo, debruçado na grade.

Teve um lance que aconteceu bem na frente do torcedor e o mesmo gritou:

“Ei macaco, não viu que foi falta? Além de preto é também burro e cego?”

Tal ofensa foi um verdadeiro “tapa do rosto” do Alpineu, que com uma incrível agilidade, segurou na brande com uma das mãos e pulando a mesma, quando ficou do outro lado, com a outra mão ele já segurou o torcedor pela garganta.

Olha, foi uma grande confusão, pois a maioria dos torcedores bem como os jogadores ouviram as agressões verbais e como o Alpineu Ramão era uma pessoa querida por todos, a turma toda queria na verdade “linchar” o torcedores que levou muitas porradas, muitos chutes e bem machucados e vários hematomas, foi entregue à Policia Militar.

Confesso que não sei que fim o mesmo levou, mas tenho certeza que nunca mais ele compareceu aos jogos de futsal na quadra da antiga MACE onde o árbitro Alpineu Ramão continuou desfilando, exibindo a sua simpatia somada ao seu vasto conhecimento na arbitragem.

Neste dia 1º de outubro,  completará 15 anos o falecimento do referido árbitro, apontado como um dos responsáveis  pelo crescimento da arbitragem em MS,

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