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Tudo sobre a região do Anhanduizinho

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Campo Grande, terça-feira, 30 de junho de 2026.

hora de relaxar, sorria!

Antes, eram uma grande diversão,mas hoje, os apelidos dão sérios problemas, mas vejam alguns que marcaram várias pessoas em Corumbá

Por Gilson Giordano em 30/06/2026 às 12:38

 

O bode foi um dos animais que mais gerou apelidos nas crianças da época, em Corumbá (Foto: Google)

Embora as agressões físicas e verbais sempre tenham existido, o termo “Bullying” e a conscientização sobre o problema chegaram ao Brasil no fim dos anos 1990. Antes disso, essas práticas eram comumente banalizadas e tratadas socialmente como “brincadeiras inofensivas” ou “zoações naturais” entre crianças e adolescentes.

Conforme os agora apurados estudos, existem quatro tipos apontados como principais de Bullying mais reconhecidos por especialistas e instituições de saúde, que são: o físico, verbal, social (ou relacional) e o virtual, que tem o pomposo nome de cyberbullying.

Conforme a conclusão após exaustivos anos de estudos pelos especialistas e instituições de saúde, hoje, o Verbal é considerado a forma mais comum e o mesmo se manifesta pelo uso de palavras para ferir ou humilhar, incluindo xingamentos, apelidos pejorativos, provocações constantes e ameaças.

 No Brasil, o combate ao Bullying é regido por duas leis principais. A primeira criou as regras de prevenção em 2015, e a segunda criminalizou a prática em 2024

No Brasil, destacam-se pela criatividade e podem surgir de características físicas, hábitos, histórias engraçadas ou versões encurtadas de nomes.

No entanto, claro que há algumas controvérsias entre os apelidos que você vai ver nesta matéria. Mas a intenção é mostrar os dois lados da moeda e entender como a população de Corumbá, localizada no extremo oeste do Estado e distante da Capital de3 MS a 431 quilômetros, conhece cada cantinho especial do município e como a população, principalmente os jovens, adolescentes, vivenciaram a fase dos “apelidos” nas décadas de 1.960 e 1.970, ocasião que, diante da falta da tal tecnologia, valia muito mais a inteligência, a criatividade, para vencer o cotidiano.

Uma dessas criatividades, usada pela “gurizada” dessas décadas, foi o uso dos apelidos, que na verdade são nomes informais usados para substituir o nome de registro, expressar afeto, destacar características ou até mesmo relembrar histórias engraçadas. Eles são extremamente comuns na cultura brasileira e variam conforme o contexto e a intimidade.

Apelidos atuais

Nos dias de hoje, já com a modernidade proporcionada pela internet, existem os apelidos “carinhosos”, como por exemplo: Bia (Beatriz), Fabi (Fabiana), Zezinho (José), Tatá (Taís).

Os Românticos e Carinhosos: Usados para casais, amigos próximos ou familiares. Exemplos: Mozão, Chuchu, Vida, Dengo, Baby.

Corumbá

Como em todas as cidades do país, Corumbá, famosa pela cultura do povo local, claro que os seus moradores não poderiam passar em branco e não curtirem esse momento de alegria, descontração, às vezes com “pequenos” desentendimentos, quanto à postagem dos apelidos uns nos outros.

Na rua da casa onde eu morava, por ali, tinha um “monte” de gurizada com apelidos.

Não apenas na rua onde era situada a casa em que eu morava, mas por todas as partes da cidade, foi na verdade uma “coqueluche” nos fins da década de 60 e em 70, manteve a tradição.

O mais interessante é que os apelidos postados, tinham a sua “origem”, o porquê do mesmo. Sendo que “cabeça”, era o mais comum.

Então vamos às “pérolas”: 

Tinha o “Quimba-bode”: Confesso que não sei a origem do “Quimba”, mas do bode, foi pelo fato de o mesmo ter mexido com o animal e este deu-lhe várias cabeçadas, deixando alguns ferimentos no mesmo. Daí, originou o apelido “Quimba-bode”.

Nenê-bode: Bem, o Nenê, não mexeu com nenhum bode para ganhar ou levar as chifradas, no entanto, ele tinha um CC, “inaguentavel” e que lembrava e muito o cheiro do referido animal e com isso, surgiu o apelido: “Nenê-bode”.  

João-cabeça-de-onça: Esse brigava ao ouvir ser chamado pelo apelido e quanto mais ele zangava, mais o apelido grudava na pessoa dele.

A origem do apelido, João-cabeça-de-onça, também a exemplo dos outros, tinha a sua origem, pois a cabeça do mesmo era exageradamente grande.

Boca-torta ou Tortilha: Esse era também um, digamos, menino, mas que tinha a boca totalmente torta, não zangava, e aceitava na boa.

Cabeça: Também com um tamanho de cabeça bem avantajado, mas ouvia ser chamado assim e aceitava de boa mesmo.

Cabecinha: Bem, para ser apelidado no diminutivo, tente imaginar o tamanho da cabeça do já rapaz, que era carteiro.

Três Cabeças

Agora, usando a “cabeça” para definir os apelidos de alguns corumbaenses, teve um que superou e em muito, os acima citados!

Esse era conhecido por, pasmem: “Três Cabeças!” E nem tente me perguntar porque também não sei mesmo. Juro que não sei!

Mas esse também aceitava o apelido na “boa” mesmo!

Assim como existiram os renomados e mundialmente conhecidos pianistas Chopin e Beethoven, claro e lógico que resguardada as infinitas proporções, estava também o “Três Cabeças” tocando tamborim.

Na época, durante o período de carnaval, quando ainda tinham bailes nos clubes e também nas Escolas de Samba, “Três Cabeças” era muitíssimo disputado, pois o mesmo havia nascido para tocar tamborim, e como tocava!

Cueca-de-Satu: Esse menino, na faixa dos 13 anos, já adolescente né, ganhou o referido apelido, pois segundo os “linguarudos” de plantão, perto da casa dele morava um senhor chamado “Satu” que teria dado de presente a cueca pra ele. Daí, virou Cueca-de-Satu.

Ele não brigava, mas também não gostava muito não, aliás, como poucos gostavam, né?

Sérgio Sapo: Esse também tirava de boa e por isso, sempre era chamado pelo nome original: Sérgio.

Futebol

Claro que no futebol, naquela época, meado dos anos 60 e boa parte da década de 70, os apelidos predominavam e de boa mesmo.

No bairro da Cervejaria, um dos mais famosos na Cidade Branca, na minha época tinha o “Boquinha” que inclusive era o centroavante do time que tinha o mesmo nome do bairro.

Tinha também o “Pacu”, zagueiro vigoroso, jogava no Cruzeiro, time que tinha à frente o inesquecível Edu Diniz.

Nesse caso, o apelido não era restrito apenas ao jogador, pois todos os irmãos se pareciam e com isso, todos eles era chamados por “Pacu” e todos atendiam de boa!

Tinha ainda no time do Cruzeiro, o goleiro apelidado de “Caminhão” e além de nunca ter sabido o nome dele, também não sei a origem do cognome, pois o mesmo, ainda que, sendo goleiro, não tinha o biótipo ideal para ocupar a posição, pois o mesmo era de estatura mediana, mais pra baixo, franzino e não sei o porquê dele ser o principal goleiro no time do Cruzeiro, que disputava o futebol amador no Campo do Brasil, que por sua vez, era apelidado de “Campinho da Morte”.

Citamos lá em cima que o “seo” Edu Diniz era o presidente do Cruzeiro, né?

Pois bem, o mesmo era uma pessoa boníssima, de ótimo coração, ajudava a todos, tanto que quando o Cruzeiro não atuava, ele era massagista do Corumbaense que mesmo jogando o futebol amador, mas atuava no Arthur Marinho, que era outro “nível”.

Pois bem, Edu Diniz tinha também um apelido, dos mais simples, mas era declarar guerra ao chama-lo pelo cognome, ele perdia totalmente a estribeira, perdia a compostura e xingava com vontade mesmo! Enchia a boa pra fazer os xingamentos, compostos por palavras de baixíssimo calão, mas que hoje, embalada pela modernidade, se tornaram tão comum no cotidiano.

O apelido dele era: Carrapato.

Nossa ao chama-lo por   Carrapato, ele ia à loucura mesmo!

Ainda no futebol, um dos técnicos do Corumbaense, foi o Floriano Flores, a quem todos chamavam de “Gogó de Sola”.

Talvez, devido à modernidade, nos dias de hoje é super comum as pessoas terem os pés grandes (Foto: Google)

No clube Corumbaense, o da mais alta sociedade na Cidade Branca, o porteiro era o Arthur, mas não sei quem foi que viu os pés dele e logo o chamou de “Arthur Pé de Lage”, devido ao tamanho dos mesmos.

Naquele bairro, eu conheci apenas o “Boquinha”, mas devido ao povo muito criativo, ótima presença de espirito, com toda certeza tinha muito mais que esse citado.

Também no time do Cruzeiro, tinha o “Mané Salgado” e confesso não sei se era sobrenome do mesmo pelo fato de ser descendente de portugueses ou se era apelido, mas era “Mané Salgado”.

Em das empresas de ônibus, tinha o motorista “Galo Cego!” Nossa, ao se dirigir ao mesmo usando tal apelido, era briga na certa!

Falasse esse apelido ao motorista do ônibus, com certeza tinha briga (Ilustração)

O “Lombriga”, se formou em odontologia, faleceu há pouco tempo;

Tinha ainda o “Jorge Gambá” também já falecido.

Bem quanto ao apelido, o mesmo surgiu porque a criançada brincava normalmente, pois não tinha o aparelho de telefone celular e com isso, tome brincadeiras!

Mas às 17h, muitos pais chamavam os filhos para tomarem banho.

O pai do Jorge, que curiosamente tinha o apelido de “Guri”, o chamou para tal atividade higiênica e diária e ao passar perto dele, o pai logo exclamou, na frente dos outros meninos:

“Ô chefe, tá fedendo Gambá!”  

Pronto, a partir daquele momento, a turma, a rua, ganhava mais um integrante na turma dos apelidos.

João 21

Tinha ainda o guarda municipal, cujo nome era João, mas também não sei quem, foi que viu que o mesmo tinha 21 dedos e pronto! A partir de então, ele passou a ser o João 21!

Mulheres

Entre as mulheres, me recordo de uma cujo apelido era “camelo”;

Apelido justo e bem aplicado, pois a pobre coitada, era um camelo em forma de gente!

Carnaval

O carnaval da época, também proporcionou a criação ou o surgimento de muitas pessoas conhecidas na cidade através do apelido!

Da Escola de Samba Império do Morro, por exemplo, o dono era “Chá Ana”. Esse não se importava de forma alguma. Também confesso que poucas pessoas sabiam o nome verdadeiro do mesmo.

Tinha também o Zé Pechisbeque, dono da Escola de Samba, se não me engano, “Império do Samba”;

“Seo” Odil, conhecido como “Batente”, do Cordão Carnavalesco Cravo Vermelho, que tinha entre os seus integrantes, o “Calango”.

Segundo a história, “Calango”, teria ganhado tal apelido, porque o mesmo tinha o olho direito perfurado, devido ao acidente registrado durante uma “brincadeira” de arco e flecha, tal como índios, e o olho teria recebido uma certeira flechada. Nunca mais ficou bom.

Tinha também, no Cordão Paraíso dos Foliões, o “Milton Amarelinho”.

Piada

Mas teve um, cujo apelido se tornou uma verdadeira piada entre os corumbaenses.

Ele se chamava João e morava, confesso que não me recordo bem, se na Rua Tiradentes ou na Ladário, quase esquina com a Cuiabá.

Pois bem, devido ao intenso calor reinante na Cidade Branca, o “seu” João mandou plantar uma arvorece na calçada, bem em frente à casa do mesmo.

Não sei se era um Sete Copas ou Flamboiã, mas o certo é que a mesma não vingou e com isso secou.

Pronto, a partir do momento em que o pessoal notou a árvore seca, de imediato foi criado o apelido que ficou famoso na localidade e o mesmo servia como referência pra tudo!

“Seo João do Pau Seco!”

Durante bom tempo ele foi conhecido por essa alcunha, pois a mesma tinha se tornado uma referência para algumas localizações.

Ele não se importava com os apelidos: “Seo’ João do Pau Seco!”

Mas certo dia, ele contratou uma pessoa, para fazer a remoção da árvore, pois a mesma havia “morrido” e não vingaria mais pra dar a sonhada sombra.

Só que a pessoa contratada, fez a remoção, mas não tampou o buraco e com isso, ficou aquele “buracão” na calçada.

Logo a imaginação dos corumbaenses uma vez mais prevaleceu e ao verem o buraco, surgiu novo apelido:

“Seo’ João do Buraco Aberto!”  

Com isso, o apelido ‘Seo’ João do Pau Seco”, passou a ser “Seo’ João do Buraco Aberto! Apelido esse que logo se propagou pela cidade e a partir de então, ele também ficou conhecido.

Depois de muito tempo, acredito que alguns anos, ele decidiu mandar tampar o buraco, pois o mesmo oferecia muito risco aos pedestres, quando chovia enchia, enfim, dava muitos problemas.

Pronto, finalmente chegou o dia em que um pedreiro e um ajudante, foram ao local para tampar o buraco.

Seu João do Buraco Tampado

Serviço por sinal muito bem feito mesmo, de primeira, no entanto, bastou o pedreiro entregar a tal “obra” e logo que o pessoal viu, de imediato mudou também o apelido e a partir de então, ele passou a ser chamado de “Seo’ João do Buraco Tampado!”

De fato, muita criatividade dos meus conterrâneos corumbaenses!

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