redacao@gritoregional.com.br     (67) 9 8175-8904

Tudo sobre a região do Anhanduizinho

Tudo sobre a região do Anhanduizinho

           

Campo Grande, sexta-feira, 03 de abril de 2026.

túnel do tempo

No antigo Hotel Campo Grande, o dia em que um colunista social “passou a perna” no colega da mesma editoria

Por Gilson Giordano em 05/03/2026 às 11:30

 

Por trás da beleza e modernidade, o antigo Hotel Campo Grande tem muitas histórias a serem contadas (Foto: Google)

 

Pegando a “deixa” do empresário Wagner Borges, um dos  donos do Slaviero Prime Campo Grande, antigo Hotel Campo Grande, que hoje  totalmente “refeito”,  ganhando  novas cores, novo desing, ficando bem mais luxuoso, quando o mesmo disse que, o “o objetivo é resgatar a essência do passado, sem perder o olhar para o futuro”, a frase dita foi por ocasião da reedição da edição do “Piano Bar”, que a partir de agora, após a inauguração do novo local,  poderá ser uma das atrações nas noites de quartas-feiras na Capital de MS.

Da frase, ficarei apenas com o primeiro trecho da mesma: “resgatar a essência do passado” e nele, quantas saudades do ainda antigo Hotel Campo Grande!

Pois bem vamos ao que interessa então!

O caso que agora relatarei aqui no site grito regional.com.br claro que é verídico, mas por orientações do advogado constituído, o mesmo disse para evitar de citar nomes e com isso, evitar também possíveis problemas jurídicos, mesmo porque dinheiro eu não tenho para pagar a mínima ação, mas teria que no mínimo prestar serviços sociais   comunitários e diante disso, omitirei os nomes dos envolvidos, mas contarei a história real, fato acontecido mesmo, nos mínimos detalhes.

A história verídica envolveu dois colunistas sociais e acredite se quiser, pois um passou a perna no outro.

Jornais impressos

Como se sabe, até pouco tempo atrás os jornais impressos que reinavam como as principais fontes de informações e noticiais na Capital de MS, aliás, em todo o Brasil, mas com a chegada da internet, e a criação ou o surgimento dos sites de noticiais, os mesmos sumiram ou a maioria absoluta deles, algo em torno de uns 98%, acredito eu.

Conforme fiquei sabendo, na época englobando as décadas de 80, 90 e boa parte de 2.000, deveriam existir na Capital de MS, em torno de uns 60 jornais impressos, que variavam dos diários, aos semanários, quinzenários e tinha também os com nome até muito “sugestivo”: “de vez em quandário”, pois esse não tinha uma sequência normal e circulava quando podia.

Eram tantos os jornais impressos, nos mais variados tipos, tamanhos, o famoso P.B (preto e branco) Colorido, tabloide, germânico, entre outros.

Eram tantos os jornais existentes que tinha até mesmo o Jornal do Ônibus, além dele, de vários bairros, entidades, associações, enfim todos tinham os seus informativos e com eles nas ruas, era uma verdadeira chuva de jornais impressos.

Para se ter uma ideia, aos domingos, bastava circular no trecho compreendido da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho, até a rua 13 de Maio, quem passasse por ali, caso quisesse, pegava no mínimo 20 exemplares diferentes, caso quisesse mais, pegava também.

E até hoje eu não sei o porquê que o sites de notícias, não têm em suas redações os profissionais ligados ao colunismo social, pois seria legal o uso do “by fulano de tal”.

Colunista social

O mais interessante, não era o número de jornais existentes nessa época, mas sim, o número de Colunistas Sociais pois em todos os jornais, tinham essa “editoria”.

A importância do mesmo em uma redação era tamanha, tanto que tinha jornais, até com dois “profissionais” na referida “editoria”, para comentar e ilustrar com fotos, os “ótimos” acontecimentos registrados na alta sociedade, a chamada “high society”, ou os “jet-set”, citando os empresários, as “madames” que estavam em evidência, os emergentes e tudo mais.

Nas redações, onde os jornalistas trabalhavam arduamente para levar as melhores informações aos leitores, os mesmos eram devidamente registrados à base da CLT, com salário mensal, vale transporte, entre outros “benefícios”, nelas, os tais colunistas sociais, flutuavam como os “reis”.

Eles não eram registrados, não ganhavam nenhum salário do jornal, mas mesmo assim todos tinham carros do ano, roupas da moda e flutuavam e frequentavam os melhores locais da cidade.

Falar com os jornalistas, aqueles que ralavam a bunda nas cadeiras das redações, nem pensar, pois eles estavam em outro patamar!

Aliás, em uma das redações que eu trabalhei, tinha um colunista social, quem não sabia escrever à máquina, ou seja, não sabia datilografar e tudo era manuscrito, mas ele tinha uma pessoa à sua disposição para refazer os textos e além disso, uma diagramadora que parava o que a mesma estava fazendo, para dar atenção especial à página desse colunista.

E depois que esses profissionais descobriram o que o adjetivo “carismático” não era um palavrão e sim uma forma carinhosa de se dirigir à pessoa citada, essa palavra se tornou uma epidemia entre a classe, agora, claro que nem todos os pobres mortais eram chamado dessa forma. Apenas alguns e eu não sei o porquê…

Nas emissoras de TV

Confesso que até hoje, eu não sei qual era a importância dos mesmos a um veículo de comunicação.

No entanto, as presenças deles eram super importante, tanto que até os canais de televisão tinha os seus colunistas sociais.

Na TV Morena, por exemplo, tinha o programa Recado, apresentado por uma colunista que devido ao seu prestígio, se elegeu como Deputada Federal.

Depois, na TV Campo Grande, também teve no seu quadro de apresentadores, uma colunista, cujo nome do programa era Batom.

Na TV Guanandi, o nome do programa era o mesmo do apresentador, que eu não posso citar, mas era aquele que falava antes dos intervalos comerciais: “Vou, mas eu volto!”

Isso pra você ver a importância de tal profissional até mesmo nas telinhas.

O mais interessante é que, mesmo com grande número desses “profissionais”, não existia uma perfeita harmonia entre a classe, pois havia uma clara distinção, pois tinha alguns que se achavam acima de todos e ocupavam o lugar mais alto na prateleira da fama, enquanto que os outros, menos famosos, ficavam claro olhando de baixo pra cima e sem a mínima chance de ascender novos degraus no colunismo social na Capital de MS, o sucesso dos “famosos”.

Famoso

Entre os que ocupavam a parte mais alta da prateleira, tinha um que para ostentar, gostava de fumar “charutos”, não sei se cubanos ou paraguaios.

Ostentando “poderio” e livre trânsito entre os empresários, o mesmo, mensalmente contrata e trazia as modelos em evidência no país, também não entendo o porquê, pois elas não se apresentavam, não cantavam e confesso que não entendia o que elas vinham fazer na Capital de MS.

Eram mulheres na verdade, lindas, afinal eram modelos, top-model (na época não tinha ainda esse termo) e as beldades, se hospedavam claro, nas suítes do antigo Hotel Campo Grande.

Me recordo que um dos locais por elas visitados era a “Estância Gisele”, segundo que visitou disse que o mesmo era cinematográfico, muito lindo, tanto que não era qualquer “pobre mortal” que podia entrar.

A estância cinematográfica pertencia a um empresário poderosíssimo, mas de muita influência mesmo na Capital de MS e este era amigo desse colunista que gostava de se exibir fumando os charutos.

Certa vez, o colunista trouxe à Capital de MS, duas “beldades”, duas “top-model” duas modelos de tirar o fôlego.

Hospedadas no Hotel Campo Grande, claro que nas suítes, a dupla de “beldades” era ciceroneada pelo colunista, que atendia as mesmas nos mais diversos tipos de solicitações, pedidos, algo assim.

Acredito que o cachê pago a cada uma delas, em moedas correntes de hoje, deveria ser em torno de uns R$ 5 mil, livre de todas as despesas.

Com ele estava um outro colunista social, mas esse, era um dos quais eu disse acima que, não ocupava o lugar de destaque na tal prateleira, mas tinha um bom trânsito entre os “pop star” do colunismo social da Capital de MS.

Na época, claro que ainda não existia as comodidades proporcionadas hoje em dia, pelo telefone celular e com isso, as ligações eram feitas para determinada empresa, as mesmas caiam na central do famoso PABX, que gerenciava as chamadas internas e externas, de onde as telefonistas, endereçavam as ligações recebidas.

Era fim da tarde, já no ocaso, o colunista social, responsável pelas presenças das “musas” estava saboreando um dos seus charutos e eis que o mesmo acabou sendo interrompido com o toque estridente dos antigos aparelhos telefônicos, onde a telefonista perguntou se ele poderia atender a ligação de fulano de tal (citando o nome da pessoa, que por sinal era um fazendeiro).

E ele, claro prontamente disse que sim e então a telefonista transferiu a ligação.

Nos minutos iniciais da conversa, foi aquela rasgação de seda até que do outro lado da linha, a pessoa, um poderoso pecuaristas, só da raça P.O.I. disse ao colunista:

Meu amigo, daqui a pouco terei que viajar às pressas, pois acompanharei a vacinação do rebanho na minha fazenda. A sua encomenda está aqui venha então pegar!” 

Mas naquele momento, o colunista não poderia deixar as modelos ali, expostas, fragilizadas, sozinhas, mas como ele tinha por perto o colega de segundo escalão, ele pediu ao mesmo que fizesse esse favor.

Deu o endereço da residência onde deveria apanhar a tal “encomenda” e o outro colunista, claro, que também tinha carro, de pronto atendeu o pedido e se dirigiu ao endereço indicado.

Lá chegando, ele meio que se assustou, pois não era uma simples casa e sim uma mansão.

Ele tocou a campainha, em seguida a voz, através do interfone perguntou quem era e ele se identificou e em seguida, a porta abriu e nela saiu o pecuarista com uma pasta, aquela tipo a do filme 007 e entregou a mesma ao colunista e ambos se agradeceram, com o famoso: “valeu! Ok, muito obrigado!”

Após os agradecimentos, o pecuarista, claro entrou em sua “mansão” e o colunista de posse da pasta, se dirigiu ao seu carro, onde colocou a pasta, no banco ao lado, aquele chamado do “passageiro”

No entanto durante o trajeto de volta ao hotel, transitando ainda pela Avenida Mato Grosso, a curiosidade estava martelando na cabeça desse colunista e o mesmo se auto perguntava:

“O que será que tem nessa pasta?”

Como a curiosidade foi bem maior e na chamada “boca da noite”, ele parou o carro dele debaixo de um dos ingazeiros que tinha no prolongamento da referida avenida e pegou a pasta, colocando a mesma em seu colo e logo ele notou que a pasta estava apenas trancada de forma normal, portanto de fácil abertura.

Sem contar até três, ele abriu a pasta e para a sua surpresa, a mesma estava lotada, até a “boca” de dólares. Só as notas verdinhas.

Ele quase enlouqueceu! Chegou a suar frio, fora a tremedeira!

Ele não pensou duas vezes e de onde o mesmo se encontrava até o Hotel Campo Grande, a distância era de no máximo três quadras e até a sua residência, ele morava no bairro Guanandi, era de uns 15 quilômetros, claro bem mais perto, tanto que ele foi pra casa.

Enquanto isso no hotel, o colunista já demonstrava visíveis sinais de inquietação devido à demora, pois era chegar ao local indicado, pegar a “encomenda” e voltar e com isso, consumia um charuto após outro.

Não mais aguentado, ele solicitou à telefonista do hotel, pra fazer uma ligação e passou o número, que era justamente da casa do pecuarista.

Pedido feito e prontamente atendido!

A telefonista transferiu a ligação e do outro lado, uma voz feminina foi quem o atendeu.

“Boa noite!” (Voz feminina)

“Boa noite!” (Respondeu o colunista, com um charuto entre os dedos).

Colunista: “Por gentileza, fulano (nome do pecuarista) se encontra?

Mulher: “Não. Ele já viajou. Porque?”

Colunista: Por gentileza, a senhora viu se foi um rapaz ai?

Mulher: “Sim e o meu marido entregou ao mesmo uma pasta dizendo que era a encomenda do senhor”.

Ao ouvir isso, o colunista quase teve um infarto, mas deu a volta por cima e talvez super pálido e quem sabe até gaguejando, se despediu a senhora.

“Tá bom então, muito obrigado. Boa noite”.

Feito isso, ele disse às “top-model” que precisava dar uma “saidinha” rápida e que logo voltaria, pra que elas aguardassem ali mesmo.

Em seguida, quase que correndo, tropeçando em algumas cadeiras, ele saiu do hotel e como sabia onde era a casa do colunista “amigo” dele, se dirigiu à mesma.

Lá chegando, estacionou o carro de qualquer jeito, tanto que nem fechou a porta e foi chegando e batendo na porta, na janela e gritando pelo nome do colunista.

“Ei fulano (nome do colunista) E para o seu desespero, nada!

Após tanta insistência, a vizinha da casa ao lado abriu a janela e o colunista quase que aos prantos, perguntou se ela havia visto o colunista fulano de tal.

A senhora prontamente respondeu que sim.

E o colunista continuou a sessão de perguntas e entre elas, se a vizinha sabia se ele estava em casa.

Como quem pergunta quer saber, a vizinha de forma categórica disse que não estava   e achava que o mesmo tinha viajado com a esposa, pois ambos saíram às pressas com umas duas malas e várias sacolas.

Ao ouvir isso, o colunista dos charutos, desta feita quase partiu mesmo.

Desanimado ele entrou no carro e voltou para o hotel, onde as beldades os aguardava.

Eu acho que o dinheiro da pasta era para pagar os “cachês” das garotas e a despesa do hotel e confesso que não sei como ou o que foi que ele fez para solucionar o problema, mesmo porque, as “girls” viajaram no voo da madrugada.

Não sei qual foi al “mágica” feita por ele para quitação dos valores com as “musas”, mas sei que o mesmo ficou durante muito tempo catando papel na ventania.

Também na época, existiam ainda na Capital de MS, três locais  Topo Gigio, na Avenida Afonso Pena,  esquina com a Rua 14 de Julho, que ao longo do ano, não fechava hora nenhuma,  Bar do Zé, na Avenida Barão do Rio Branco, esquina também com a Rua 14 de Julho e a Cantina do Vitorino, na Avenida Candido Mariano, também com a Rua 14 de Julho e esses locais eram frequentados pelos jornalistas chamados os “mortais” e o colunista passou a ir de vez em quando aos mesmos onde chegava e perguntava todos, se por acaso, “fulano de tal (o colunista que levou a pasta), havia passado por ali, ou se algum dos presentes tinha visto o mesmo.

E sempre ouvindo as respostas negativas, o famoso “não!”, não sei se ele desanimou e nem como foi que terminou essa linda história, mas acredito que hoje, ambos já se falam e voltaram a ter a mesma amizade, desde que nenhum pegue a pasta para o outro, para levar onde quer que seja.

0 Comentários

Os comentários estão fechados.

Exibir botões
Esconder botões