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Campo Grande, quinta-feira, 20 de agosto de 2026.

agosto lilás

No CRAS Guanandi, SEMU realizou palestra e orientou as mulheres sobre violência doméstica

Por Gilson Giordano em 20/08/2026 às 10:12

Secretaria aproveitou a reunião bimestral do Bolsa Família,para fazer o alerta sobre o grave problema (Foto:Divulgação)

Como triste registro de 22 feminicidios registrados no Estado, dos quais quatro na Capital de MS, a Secretaria Executiva da Mulher (SEMU) realizou nesta quarta-feira (19), no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Guanandi, no bairro do mesmo nome, um dos mais antigos da Capital de MS, onde residem aproximadamente 10 mil pessoas e está localizado na região do Anhanduizinho, uma palestra sobre violência doméstica e familiar contra as mulheres. A atividade integra a Campanha Agosto Lilás e foi conduzida pela psicóloga, Márcia Paulino, durante a reunião bimestral do Bolsa Família.

Para a secretária executiva da Mulher, Angélica Fontanari, levar informação para dentro dos territórios é a principal estratégia de prevenção e enfrentamento à violência. “O Agosto Lilás é um mês de conscientização e mobilização, mas nosso trabalho é diário. Quando estamos dentro do CRAS, perto das mulheres e de suas famílias, conseguimos quebrar o silêncio e mostrar que o poder público está aqui para acolher, proteger e garantir direitos. Nenhuma mulher deve se sentir sozinha”, destacou.

O encontro abordou a Campanha Agosto Lilás, a Lei Maria da Penha, os tipos de violência doméstica, o ciclo da violência e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para romper esse ciclo. Também foram esclarecidos os mecanismos de proteção previstos na legislação e os serviços disponíveis para quem precisa de ajuda.

Segundo Márcia Paulino, a informação é fundamental para fortalecer as mulheres e ajudá-las a reconhecer situações de violência e buscar apoio. “A informação é uma ferramenta importante para que as mulheres reconheçam situações de violência, saibam que não são culpadas pelo que estão vivendo e conheçam os serviços que podem ajudá-las. Romper um ciclo de violência pode ser difícil e cada mulher tem o seu tempo, mas ela não precisa passar por isso sozinha”, destacou.

A psicóloga explicou que a Lei Maria da Penha protege mulheres em situação de violência doméstica e familiar, independentemente do vínculo, incluindo namoradas, mães, filhas, irmãs e avós. A violência pode ser praticada por homens ou mulheres, inclusive em relacionamentos homoafetivos, e a proteção também alcança mulheres trans.

Durante a palestra, foram apresentadas as fases do ciclo da violência, que pode envolver o aumento da tensão, a agressão e um período de aparente calmaria e os riscos de sua repetição. Medo, dependência financeira, preocupação com os filhos, ameaças e falta de apoio estão entre as dificuldades que podem impedir a mulher de romper com a situação. Nesse contexto, Márcia também reforçou a importância da efetividade das Medidas Protetivas de Urgência.

Para Adriana de Lima Neves Aguilera, assistente social do CRAS Guanandi, a abordagem do tema durante a reunião do Bolsa Família amplia o acesso à informação para famílias que podem estar vivenciando situações de violência.

“A gente procura, nessas reuniões, tratar assuntos relevantes dentro daquele mês. Neste caso, agosto é o Agosto Lilás, e estamos falando também dos 20 anos da Lei Maria da Penha. É um assunto de extrema importância, porque muitas mulheres podem estar sofrendo algum tipo de violência, assim como pessoas da família ou até mesmo alguém próximo. Mesmo quem não esteja passando por isso pode conhecer uma vizinha ou uma amiga que precise dessas informações”, explicou.

Quem deseja ajudar uma mulher em situação de violência deve evitar julgamentos, ouvir e acolher, afastar qualquer culpa da vítima e orientá-la a procurar ajuda, respeitando seu tempo para denunciar. Não há justificativa para a violência.

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira funciona 24 horas, todos os dias, oferecendo atendimento e orientação. O Ligue 180 recebe denúncias e presta orientações quando a violência não está acontecendo naquele momento. Em situações de agressão em andamento, podem ser acionados o 190, da Polícia Militar, e o 153, da Guarda Civil Metropolitana. A mulher também pode contar com a Patrulha Maria da Penha e, caso possua Medida Protetiva de Urgência, deve informar essa condição no momento da ligação.

A violência doméstica pode afetar a saúde física, mental, sexual e social das mulheres, além de impactar o desenvolvimento infantil. Por isso, ampliar a informação e fortalecer a rede de proteção são medidas essenciais para prevenir e enfrentar a violência.

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