Tudo sobre a região do Anhanduizinho
Campo Grande, terça-feira, 20 de outubro de 2026.

Os pais ou responsáveis devem ficar sempre atentos quanto ao comportamento da criança ou do adolescente (Foto:Google)
Pais e responsáveis por menores residentres nos bairros que formam a região do Anhanduizinho, devem ficar atentos quanto ao comportamento dos mesmos, principalmente com a alteração do humor, que pode ser um dos sintomas para o início da depressão infantil, afetando pensamento, o comportamento e o bem-estar físico da criança, persistindo por mais de duas semanas e causando prejuízos em sua rotina.
Além disso, outras situações devem ser observadas a partir do momento em que a criança sentir tristeza, irritação, isolamento ou queda no rendimento escolar podem parecer apenas fases difíceis da infância e da adolescência. Em alguns casos, porém, essas mudanças indicam depressão, um transtorno que também pode atingir os jovens.
Segundo dados da OMS, estima-se que a depressão ocorra em cerca de 1,3% dos adolescentes de 10 a 14 anos e em 3,4% dos jovens de 15 a 19 anos. Transtornos de ansiedade, que muitas vezes caminha junto com a doença, atingem entre 4,1% (10 a 14 anos) e 5,3% (15 a 19 anos).
A doença resulta de uma combinação complexa de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Desregulações nos neurotransmissores, como serotonina, dopamina e noradrenalina, fazem parte dos fatores orgânicos.
Embora já existam formas de investigar essas modulações químicas, o diagnóstico clínico ainda depende da observação dos sintomas, sua duração e o impacto na rotina.
Quando a tristeza vira um sinal de alerta
A ideia de que infância e juventude são fases livres de estresse e angústia é um mito: conflitos familiares, pressão escolar, bullying e mudanças hormonais também podem acionar o gatilho da doença.
Mas depressão não é sinônimo de tristeza passageira. Segundo a OMS, um episódio depressivo envolve humor deprimido ou perda de interesse e prazer na maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas.
Nas crianças e adolescentes, nem sempre o abatimento aparece de forma evidente. Veja alguns sinais por faixa etária:
Até os 2 anos: Em crianças muito pequenas, a depressão é rara e os sinais podem ser pouco específicos, como choro constante e sem motivo aparente, distúrbios do sono e expressão abatida.
Dos 2 aos 7 anos: Irritabilidade intensa, crises frequentes, apatia, perda de interesse pelas brincadeiras e mudanças importantes no comportamento podem indicar sofrimento emocional.
Dos 7 aos 12 anos: A depressão pode aparecer como queda no rendimento escolar, dificuldade de concentração, isolamento, irritabilidade, alterações no sono e no apetite ou perda de interesse por atividades antes apreciadas. Queixas físicas recorrentes, como dores de cabeça ou de barriga, também podem acompanhar o quadro.
Na adolescência: O quadro pode se confundir ainda mais com mudanças próprias da idade. Além da tristeza, é preciso observar irritabilidade persistente, sentimento de vazio, baixa autoestima, perda de interesse, cansaço, isolamento, queda no desempenho escolar e alterações no sono ou no apetite.
Pensamentos sobre morte ou suicídio, autolesão, uso problemático de álcool ou outras drogas e comportamentos de risco exigem atenção imediata. A presença de momentos de alegria também não descarta a depressão, já que os sintomas podem oscilar ao longo do dia e entre diferentes situações.
Caso note mudanças de comportamento por mais de 15 dias, é hora de procurar ajuda profissional. Psicólogos e psiquiatras infantis podem avaliar o quadro e identificar possíveis causas médicas associadas, como anemia ou outros transtornos psiquiátricos.
O que ajuda a proteger a saúde mental
Alguns hábitos reduzem o risco de depressão entre crianças e adolescentes:
Diálogo aberto: manter uma comunicação franca com os pais ou cuidadores é essencial. Criar espaço para falar sobre sentimentos e problemas sem julgamentos facilita a busca por ajuda. Perguntar diretamente sobre pensamentos suicidas, inclusive, não deve ser tabu. Isso reduz o risco do ato se concretizar.
Educação emocional: ensinar desde cedo a reconhecer e nomear emoções ajuda na autopercepção e no pedido de ajuda quando necessário.
Atividade física: o sedentarismo está ligado ao aumento dos sintomas depressivos antes dos 18 anos. Já uma rotina de exercícios está associada a benefícios para a saúde física e mental.
Sono adequado: horários regulares e uma rotina favorável ao descanso, o que inclui evitar telas ao menos uma hora antes de dormir, ajudam a preservar o sono, importante para o funcionamento emocional e cognitivo.
Convivência e expressão: relações familiares e sociais de qualidade, além de atividades de lazer, esporte e expressão artística, podem favorecer o bem-estar e ampliar as formas de lidar com emoções.
Menos tempo de tela: o uso excessivo de eletrônicos está associado a maior risco de transtornos mentais —limitar o tempo online é uma medida protetiva.
Onde buscar ajuda
Se houver sinais de sofrimento intenso ou pensamentos suicidas, é fundamental procurar atendimento especializado. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio gratuito e confidencial pelo telefone 188 ou no site www.cvv.org.br, 24 horas por dia. Também é possível buscar os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) na sua cidade, que prestam suporte psicológico e psiquiátrico sem custo.
UOL
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