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Campo Grande, sexta-feira, 09 de outubro de 2026.

saúde é o que interessa

Câncer aumenta número de casos em pessoas com menos de 50 anos de idade

Por Gilson Giordano em 09/10/2026 às 10:26

Tabagismo,um dos maiores causadores de câncer no Brasil onde os casos aumentam assustadoramente(Foto: Google)

Apontado como doença do século, o câncer não é uma doença exclusiva do século atual; trata-se de uma condição ancestral que acompanha os seres vivos há milhões de anos, mas tornou-se um dos maiores desafios de saúde pública da era moderna.

O câncer é um termo genérico que define mais de 100 tipos de doenças caracterizadas pelo crescimento desordenado de células anormais que podem invadir tecidos e órgãos vizinhos ou se espalhar para outras partes do corpo (metástase).

O que é e como surge

Mutações genéticas: A doença ocorre por alterações no DNA das células, que perdem a capacidade de controlar sua divisão e morte natural.

Tumores: As células doentias se multiplicam rápido e formam massas chamadas de tumores malignos (diferente dos tumores benignos, que não se espalham).

Classificação: É dividido em grupos como carcinomas (se originam em tecidos epiteliais como pele e mucosas) e sarcomas (em tecidos conjuntivos como ossos e músculos).

Principais Causas e Fatores de Risco

Fatores genéticos: Predisposição hereditária (menos comum).

Fatores ambientais e de estilo de vida: Tabagismo, consumo de álcool, exposição excessiva ao sol, contato com agentes tóxicos ou agrotóxicos, e hábitos alimentares (como o consumo frequente de ultraprocessados).

Sintomas de Alerta

Embora varia de acordo com o tipo, alguns sinais comuns exigem investigação médica:

Perda de peso inexplicável

Fadiga extrema e contínua

Nódulos ou caroços no corpo

Sangramentos ou secreções anormais

Dor persistente que não passa

Alterações na pele ou feridas que não cicatrizam

Casos de câncer antes dos 50 anos crescem mais rápido do que em outras faixas etárias na Inglaterra, EUA e Holanda, segundo análise do World Cancer Research Fund.

O que aconteceu

Estudo do World Cancer Research Fund identificou alta relevante em sete tipos de câncer de início precoce na Inglaterra. O levantamento também encontrou aumentos em cinco tipos nos EUA e em quatro na Holanda, com avanço mais acelerado entre pessoas com menos de 50 anos do que em idades mais elevadas.

Diagnósticos de câncer de próstata em homens com menos de 50 anos quadruplicaram na Inglaterra desde 2001. A incidência passou de um caso por 100 mil pessoas em 2001 para 3,6 por 100 mil em 2023, de acordo com os dados analisados.

Taxas de câncer de intestino (colorretal) em menores de 50 anos também mais do que dobraram no país. O índice subiu de 3,9 por 100 mil em 2001 para 8,4 por 100 mil em 2023, enquanto câncer de útero e de rim nessa faixa etária chegaram a 3,9 e três por 100 mil, respectivamente.

Câncer de mama em menores de 50 anos cresceu de forma mais moderada na Inglaterra. A taxa foi de 42 para 47,5 por 100 mil em 2023, e o estudo também registrou aumento em casos de pâncreas e fígado entre os mais jovens.

Nos EUA, câncer de rim em menores de 50 anos mais do que dobrou desde 2000, segundo a análise. A incidência foi de 2,5 por 100 mil em 2000 para 5,3 por 100 mil em 2023, enquanto câncer de intestino, útero e pâncreas avançaram mais de 50% e o de mama cerca de 20%.

Na Holanda, pesquisadores apontaram alta significativa em câncer de intestino, rim, fígado e colo do útero em pessoas com menos de 50 anos. Em sentido oposto, os três países tiveram queda no câncer de pulmão nessa faixa etária, movimento associado à redução do tabagismo.

Especialistas ouvidos pelo WCRF relacionam a tendência a fatores de estilo de vida e também a diagnósticos mais precoces. Mark Lawler, professor da Queen’s University Belfast, afirmou ao The Guardian que a tendência geral é preocupante por ocorrer “no contexto de fatores de estilo de vida que contribuem para milhares de mortes”.

O que pode estar por trás do aumento

WCRF cita obesidade, alimentação ruim e falta de atividade física como possíveis motores do avanço. A entidade também menciona consumo de álcool, tabagismo e exposições ambientais, como poluentes e químicos, como fatores que podem influenciar o aumento.

Parte dos casos pode estar aparecendo mais cedo por maior atenção a sinais e sintomas. Ao The Guardian, a diretora de pesquisa e políticas do WCRF, Giota Mitrou, disse que “por trás de cada número há uma pessoa enfrentando um câncer mais cedo do que ela, sua família e muitas vezes seu médico esperariam” e defendeu tratar o tema como prioridade de pesquisa e prevenção.

Pesquisadores ressaltam que o diagnóstico antecipado não explica todo o fenômeno. Vanessa Gordon-Dseagu, gerente de tradução de pesquisa do WCRF, afirmou ao The Guardian que, embora não haja compreensão completa das causas, é provável que fatores de risco como excesso de peso e obesidade, dieta, álcool e tabagismo tenham papel no cenário.

Ela também apontou que a população está mais informada sobre riscos e sintomas, o que aumenta a busca por atendimento. Ainda assim, Gordon-Dseagu disse ao The Guardian que o aumento de diagnósticos não conta “a história inteira” e que mais pesquisas são necessárias para entender os cânceres de início precoce.

Resposta do governo e novas pesquisas

King’s College London anunciou um estudo com 250 mil pessoas para investigar a alta de câncer de intestino em adultos mais jovens. O ensaio, financiado pela Cancer Research UK, pretende separar melhor o peso de fatores de risco em piora e o efeito de detecção mais eficiente no aumento dos casos.

Governo britânico disse que o diagnóstico precoce é o centro do plano nacional de câncer. Um porta-voz do Department of Health and Social Care afirmou ao The Guardian que o país investe em novas tecnologias para acelerar diagnósticos, amplia testes genéticos e apoia pesquisas para entender causas e grupos de maior risco.

Autoridades também citaram atenção específica a crianças e jovens na estratégia. Segundo o porta-voz, o conselho nacional de câncer recém-anunciado terá um representante dedicado a crianças e jovens, diante do impacto de receber o diagnóstico em idade mais baixa.

Com informações UOL

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