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Campo Grande, segunda-feira, 14 de setembro de 2026.

políticos, sempre eles!

A noite era de festa, mas um dos presentes deixou o candidato de “saia justa” em pleno comício político

Por Gilson Giordano em 14/09/2026 às 15:55

Participante do comício em tom de gozação, pensou que o candidato estivesse falando em cadeira de rodas (Ilustração)

Como escrevi da vez passada,  todos sabem que vivi épocas diferentes, a atual e a de muitos anos, bem antes da internet e agora, com a tecnologia, eu viajo de um mundo para o outro, gosto de ambos, mas confesso que não vi tantas mudanças nos discursos dos políticos, entre os daquele tempo e os atuais, sendo que  agora, eles usam frases de efeitos, em falas devidamente preparadas pela assessoria,  mas que no frigir dos ovos,  tal como antigamente,  continuam prometendo  ainda, os  três principais pilares para uma sociedade justa e honesta: saúde, educação e moradia, sendo que agora, a segurança também passou a ganhar o devido e merecido espaço, mas sem nada prático ainda.

É inegável que a política, – “ah, política, sempre ela”, – continua produzindo uma onda de discursos proferidos e muitos deles, acabam se tornando ou soando com duplo sentido aos nossos ouvidos.  Ainda que em menos proporções, mas esse “efeito” é vivido ainda, até no dias atuais, mesmo com o avanço da tecnologia e agora, com a já famosíssima Inteligência Artificial, chamada carinhosamente de “IA”, alguns políticos, não se sabe ao certo se fazem de forma proposital ou de forma pueril mesmo.

A história de hoje, aconteceu talvez na década de 1.980, em uma cidade do interior e o fato foi registrado em plena campanha política desta feita para ocupar uma das Cadeiras na Câmara Municipal da cidade.

Como eu já disse na história contada anteriormente,  ainda naquela década, os candidatos ocupavam as carrocerias dos caminhões,  onde tinha apenas um microfone com cabo e comprimento limitado e o som era através dos alto-falantes, sempre colocados bem na cabine do caminhão usando como palanque e algum partido ou candidato que tinha mais poder aquisitivo, “mais dinheiro mesmo”   se dava ao luxo de ter  dois ou três  alto-falantes e colocava os mesmos em árvores ou em outro locais capazes de captar as falas proferidas nos eloquentes discursos a todos os presentes.

No município, onde foi registrada a história, verídica por sinal, um dos postulantes à uma das vagas na Câmara Municipal, era até um candidato de muito conceito, pois o mesmo era o diretor geral da concessionária da empresa de águas, no interior.

Na década de 80, como se sabe, já tinha televisão, mesmo assim, um comício em cidade pequena, sempre servia de atração aos moradores e com isso, atraia bom público e entre eles, os jovens, tanto rapazes como as moças, que ainda sem celular, não param de circular e ficam de um lado para o outro, dando uma paquerada e entre eles, invariavelmente, sempre tem um gaiato.

Para que você não interprete mal, gaiato é aquele tipo de pessoa brincalhona, alegre, divertida e que gosta de fazer os outros rirem das suas traquinagens.

Também em todos os comícios, tem o locutor oficial que a todo momento, ocupava o microfone e anunciava a realização do evento político, citando os nomes das pessoas que estariam no mesmo e que fariam também o uso das palavras.

Finalmente chegou o horário e tal como foi devidamente anunciado, o comício começou pontualmente às 19h30, mesmo porque, os participantes tinham ainda outros compromissos na mesma noite, pois a correria de um político, próximos aos pleitos eletivos é muito movimentada e intensa.

Com todos os participantes já posicionados na carroceria do caminhão, o locutor oficial, solicitou a atenção de todos, pois a partir daquele momento, os candidatos ocupariam o microfone e com isso, ele foi chamando claro que de forma individual, para o uso da palavra e expor as suas ideias ocupando uma das Cadeiras na Câmara Municipal da cidade.

Nesse comício, o personagem central, o principal protagonista era justamente o   diretor geral da concessionária de águas, no interior.

Antes de anunciar o nome do mesmo, o locutor primeiro e de forma educada, pediu silêncio aos presentes e que os mesmos, recebessem com uma intensa salva de palmas, o candidato fulano de tal (não posso citar o nome pra não ter que enfrentar processo).

Pedido feito e atendido! As palmas foram efusivas e acompanhada de espocar de fogos de artifícios, pois o comitê do mesmo havia colocado umas cinco baterias de fogos, cada uma delas com 12 tubos, proporcionando 156 tiros. De fato muito barulho mesmo, ensurdecedor!

Após o barulhão e com a diluição da fumaça, que deixou o ar puro pólvora, finalmente o diretor geral da concessionária de águas, começou a proferir o discurso que ele carinhosamente havia elaborado em casa.

No local que minutos atrás foi uma intensa barulheira, de repente, foi acometido por um silêncio sepulcral, todos atentos no discurso e com isso, o candidato começou, como todos fazem, saudando os presentes e a partir de então, começou a expor a sua ideia, caso o mesmo fosse eleito com isso, ocupasse uma das Cadeiras na Câmara Municipal da cidade.

Lembra do gaiato que estava no comício? Pois ele ainda continuava por ali, falando com um, mexendo com outro, sempre despertando a atenção e risos por onde passava.

O candidato, após uns 15 minutos de inflamado discurso se preparou para o encerramento do mesmo e o desfecho foi esse, no local que imperava o silêncio e era um paraíso e o candidato aproveitou e sapecou:

“Meus amigos, agora que os senhores ouviram e conheceram, as minhas propostas de trabalho, o que eu penso em fazer para alavancar o desenvolvimento da cidade, caso eu ocupe o cargo de Vereador!”

Atento e no vácuo do que disse o candidato, o gaiato fez todos explodir no gostoso riso e emendou, pois estava tudo silêncio e a voz do mesmo ecoou firme e forte no local:

“O que, cargo de varredor?”

Sem perda de tempo, gaiato perguntou se o candidato queria um cargo de varredor (Ilustração)

Os presentes riram intensamente, tanto que o barulho dos risos pode ser comparado ao dos fogos de artifícios.

Por sua vez, o candidato absorveu bem o golpe, se manteve sério e impassível e aguardou uns minutos e recomposto, na mesma linha de raciocínio, apenas esperou que o pessoal cessasse o riso e continuou:

“Por isso minha gente amiga, pelo crescimento e o progresso da nossa cidade, pelo bem estar de todos, eu peço a vocês o voto de confiança pra ocupar com dignidade essa cadeira!”

E o gaiato atento e de novo no vácuo, sem pestanejar perguntou:

“Cadeira de rodas?”

Levando novamente a plateia ao delírio, rindo gostosamente.

No caminhão, onde os demais participantes também riam e sem argumento, o candidato achou por bem, dar boa noite a todos e encerrar o discurso que ainda é lembrando pelos mais antigos na referida cidade.

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