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Campo Grande, quinta-feira, 01 de outubro de 2026.

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Nem sempre a criança “gordinha” e “bochechuda” é sinônimo de saúde, tenha muito cuidado com a obesidade

Por Gilson Giordano em 01/10/2026 às 11:31

Evite ao máximo o consumo alto de ultraprocessados, fast-food, frituras e bebidas com muito açúcar (Foto: Google)

A ideia de que criança gordinha é sinônimo de saúde é um dos maiores mitos da medicina. Antigamente, esse pensamento fazia sentido porque crianças mais robustas resistiam melhor a infecções em uma época sem antibióticos. Hoje, a ciência mostra que o excesso de peso na infância é um fator de risco para doenças graves que antes só apareciam em adultos.

Portanto, antes de “apertar” a bochecha e falar: “criança linda, vontade de morder essa bocheche gordinha”, fique desde então antenada quanto aos riscos que essa “linda gordurinha” poderá causar à linda criança, quando a mesma estiver na adolescência, podendo se tornar um jovem obeso.

A obesidade na adolescência é uma condição grave de saúde marcada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal em jovens de 10 a 19 anos e a mesma é causada por vários fatores, veja alguns:

Alimentação inadequada: Consumo alto de ultraprocessados, fast-food, frituras e bebidas com muito açúcar.

Sedentarismo: Menos tempo em atividades físicas e mais tempo em frente a telas de computadores e celulares.

Fatores multifatoriais: Influência da genética, do ambiente familiar e de questões hormonais ou psicológicas.

Ocasionada por esses três fatores, o resultado pode ter os seguintes riscos e complicações:

Problemas físicos: Pressão alta, diabetes tipo 2, colesterol alto e esteatose hepática (gordura no fígado).

Impacto emocional: Baixa autoestima, ansiedade, depressão e maior risco de sofrer bullying.

Continuidade na idade adulta: A maioria dos adolescentes com obesidade continua obesa quando cresce.

A obesidade na adolescência não fica restrita ao peso. O excesso de gordura nessa fase pode favorecer alterações metabólicas e cardiovasculares capazes de acompanhar a pessoa por décadas e também está associado a problemas menos conhecidos, como a perda precoce da função dos rins.

Um estudo publicado no Jama Pediatrics ajuda a dimensionar esse risco. Pesquisadores acompanharam 593.660 adolescentes israelenses, entre 16 e 20 anos, durante 12 anos. Nesse período, 1.963 desenvolveram doença renal antes dos 30 anos. O risco foi maior entre aqueles com IMC elevado e aumentou conforme o grau de obesidade.

Por que os rins entram nessa história

Os rins filtram o sangue, eliminam substâncias tóxicas do organismo e ajudam a controlar a quantidade de água e os níveis de eletrólitos, como sódio e potássio. Quando essa capacidade diminui de forma persistente, se tornando crônica, pode surgir a insuficiência renal.

A perda da função dos rins também está associada a maior risco de hipertensão, infarto e morte prematura. Em casos avançados, pode ser necessária diálise ou até um transplante.

A função dos rins tende a cair naturalmente com o envelhecimento, principalmente entre idosos. O estudo chama atenção porque encontrou uma associação entre a obesidade na adolescência e alterações renais já no início da vida adulta, muito antes desse declínio esperado

O excesso de peso não afeta só os rins

Na vida adulta, pessoas que tiveram obesidade na adolescência apresentam maior risco de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. O excesso de peso precoce também pode dificultar o controle do peso ao longo da vida.

Por isso, a adolescência é uma fase importante para identificar o problema e intervir. Quanto mais tempo a obesidade persiste, maior pode ser a exposição do organismo às alterações metabólicas associadas ao excesso de gordura.

A prevenção começa ainda na infância, com alimentação adequada, estímulo à atividade física e acompanhamento do crescimento e do peso. Para adolescentes obesos, a avaliação profissional ajuda a identificar fatores de risco e definir estratégias de tratamento antes que as complicações apareçam.

Informações UOL

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