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Campo Grande, quinta-feira, 27 de agosto de 2026.

Certamente a cama que o político se referiu, deve ter sido uma mais ou menos igual a essa, de madeira e deu o duplo sentido na frase (Foto: Google)
A campanha política nos rádios e nos canais de televisões, começam oficialmente nesta sexta-feira (28), mas de acordo com a Lei número 9.096/1995 estabelece que “as emissoras de rádio e televisão terão direito à compensação fiscal pela cedência do horário gratuito previsto nesta lei”.
É inegável que a política, “ah, política, sempre ela”, continua produzindo uma onda de discursos proferidos e muitos deles, acabam se tornando ou soando com duplo sentido aos nossos ouvidos. Ainda que em menos proporções, mas esse “efeito” é vivido ainda, até no dias atuais, mesmo com o avanço da tecnologia e agora, com a já famosíssima Inteligência Artificial, chamada carinhosamente de “IA”, alguns políticos, não se sabe ao certo se fazem de forma proposital ou de forma pueril mesmo.
E por falar em frases, não totalmente de duplo sentidos, mas que soavam mal nos ouvidos e por isso, sempre arrancavam gostosas gargalhadas, foi da presidente Dilma Rousseff (PT), apontada por muitos, como a campeã, caso fosse uma competição.
Vivi épocas diferentes, a atual e a de muitos anos, bem antes da internet e agora, com essa tecnologia, eu viajo de um mundo para o outro, gosto de ambos, mas confesso que não vi tantas mudanças nos discursos dos políticos os daquele tempo, na década de 1.960, lá pelos idos de talvez 1.965, por ai, não mais que isso, para alguns, talvez dezenas, da atualidade.
Depois de viajar no tempo passado, volto ao mundo atual e os discursos proferidos pelos políticos de agora, pouco diferem daqueles tempo, quando não se dispunham de tantos recursos, mas a língua, com talvez a “inocência” e a percepção eram muito afiadas!
Nesse caso, voltaremos ao passado e nele, citaremos algumas frases com duplo sentidos que arrancaram gostosos risos da plateia onde os candidatos a um cargo eletivo exibiam, mostravam o plano de trabalho, já usando o famoso chavão “eu prometo!”
Como se sabe, as “pérolas” eram ditas nos comícios que era uma reunião pública de caráter político em que candidatos ou líderes apresentam propostas, faziam inflamados discursos e através deles, buscam conquistar o apoio dos eleitores.
Mas tal atividade, os comícios, aos poucos foram perdendo o espaço para os showmícios, outro evento político, mas esse muito sofisticado, pois no mesmo, os partidos ou candidatos com mais poder aquisitivo, contratavam artistas de renomes nacionais e o comício l passava a ser um show político em plena campanha eleitoral, com o pagamento de “gordos” cachês.
No entanto, esse formato acabou sendo proibido e tudo voltou à moda antiga.
Mesmo tendo voltado à moda antiga, os comícios realizados nos dias atuais, são de longe, totalmente diferentes daqueles realizados na década de 1.960.
Naquela década, ainda no uno Estado de Mato Grosso, me recordo perfeitamente dos candidatos Wilson Fadul, médico carioca, mas radicado em Campo Grande e Vicente Bezerra Neto, advogado, radicado em Cuiabá.
Nos comícios atuais, os candidatos, tem palco de vários metros, podendo andar e falar ao mesmo tempo, pois os microfones são sem fios, as luzes com lâmpadas de Led, deixando a noite tal como se fosse o dia.
Naquela época, o palco dos candidatos era as carrocerias dos caminhões cujo proprietário, abria de um lado apenas, onde em baixo era colocada uma cadeira de madeira para o candidato subir e de onde o mesmo praticamente era empurrado de baixo pra cima, sendo que na carroceria do caminhão, tinha outra turma que puxava o mesmo.

Os palanques para os inflamados discursos, eram as carrocerias dos caminhões, onde os políticos expunham suas metas (Foto:Google)
Na bunda não!
Fazendo um aparte do caso vivido em um dos comícios daquele tempo e que contarei aqui, certa ocasião, um candidato foi “ajudado” a subir no caminhão e para tanto, ele foi empurrado pela bunda, nossa o cara zangou muito e já na carroceria, ele queria descer pra saber quem, foi que pegou na bunda dele, pois o mesmo mostraria à base de bala de 38 (marca de revólver) que em bunda de homem não se toca.
Com muito custo, ele desistiu da ideia de descer da carroceria, mas teve que ouvir as gracinhas dos presentes que passaram a gritar:
“Ei fulano (Não posso citar nome, pois posso ser processado), pegaram na sua bunda e agora você fica ai dando uma de zangado, né?
Como se sabe, o espaço na carroceria de um caminhão, é pequeno e nele, não era possível o candidato andar com certeza desenvoltura, mesmo porque tinha mais gente, o microfone tinha o famoso cabo, as luzes não eram com lâmpadas Led e sim, nos vários bocais colocados na fiação elétrica, eram usadas as lâmpadas comuns, esses de 100Wats.
Trocadilho
Nesse comício, se não me falha a memória, foi em 1.965, eu tinha 12 anos, mas até hoje, a frase ainda soa perfeitamente nos meus ouvidos.
Como se sabe também, a classe pobre, em época de política, continua sendo a menina dos olhos de todos candidatos né? Não sei o porquê!
E desde aquela época, tal como hoje em pleno século XXI, os três pilares protagonistas de um ótimo discurso do bom político continuam sendo: “Saúde, Educação e Moradia”. Isso nunca mudou e tenho certeza que também nunca mudará.
Após muito tempo, acredito que por volta das 21h, tarde para uma cidade que não tinha ainda nem televisão, foi anunciado o político que era aguardado por todos presentes.
E o locutor, em cima da carroceria do caminhão, conclamou os presentes para que eles recebessem com efusivas salvas de palmas, o “fulano de tal” (mão posso citar o nome).
No local, sei l, talvez umas 200 pessoas, quantidade esse classificada como excelente e todo mundo aplaudiu!
As palmas foram intensas, com boa duração!
O candidato, já de posse do microfone, mas antes teve o cuidado de limpar, pois o mesmo ficava todo babado, devido ao grande número de pessoas que usava o mesmo.
Após longo preâmbulo, que também foi aplaudido de forma efusiva, o candidato começou a discursar e claro que citou os três pilares usados ainda nos dias atuais:
Falou sobre a deficiência na saúde, pois na época, Corumbá tinha apenas o Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (Samdu) e o Hospital da Santa Casa.
Quanto à moradia, se não me engano, estava em fase de elaboração, a construção do bairro Popular Nova.
Na Educação, conforme os projetos os estudos eram voltados para as construções dos Colégios, o Industrial “Dr. João Leite de Barros”, localizado ainda próximo à Fábrica do Cimento Itaú e ao “Júlia Gonçalves Passarinho”, este na área central da cidade.
Após falar, com muita eloquência, muitas gesticulações que arrancavam aplausos da plateia, a respeito da carência, citando a deficiência desses três pilares na Cidade Branca, por último o candidato vem com essa frase que se tornou na verdade o ditado popular que costuma contrapor o conforto do rico à rusticidade do pobre.
Tomando mais guloso gole de água e arrumando bem a garganta, o candidato disse, uma frase direcionada à classe pobre, sempre na maioria absoluta.
“É meus amigos, eu não posso acabar esse discurso, sem antes frisar que, o pobre, dorme na cama de pau duro, enquanto que o rico, dorme na cama de pau mole!”
Ao ouvir a frase de duplo sentido, claro que a plateia foi ao delírio e perguntava ao candidato:
“Como que é?”
Confesso que não sei se o mesmo se fez de inocente ou usou da malícia e repetia:
“É isso mesmo minha gente, o pobre, dorme na cama de pau duro, enquanto que o rico, dorme na cama de pau mole!”
Claro que ao trocar “duro” por “mole”, a frase criou um duplo sentido malicioso ou sexual com a gíria para o órgão genital flácido, transformando uma crítica social em uma piada.
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