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Campo Grande, segunda-feira, 08 de junho de 2026.

histórias que o tempo não apagam!

Convocação de jogador não pode e nem deve apagar a rica história dos craques que desfilaram no gramado do Morenão

Por Gilson Giordano em 08/06/2026 às 13:17

Época em que o estádio Morenão recebia milhares de torcedores que conheceram de perto os craques do futebol da Capital de MS (Foto:Google)

É inegável que, a idolatria no futebol de MS passa por uma profunda controversa e isso se deve à falta de informações e até mesmo de um museu onde os jovens pudessem ter amplo conhecimento a respeito das modalidade na Capital do Estado que já revelou dezenas de craques que talvez pelo fato de terem nascidos em época “errada”, não tiveram a mesma sorte.

Além da falta de sorte pelo fato de terem nascidos “antecipadamente”, esses craques não tiveram um ótima gestão empresarial fato esse que dificultou em muito a negociação dos mesmos com os chamados grandes clubes do país, pois talento não faltou e na verdade o que faltou sim foi uma vitrine, uma janela aberta para o futebol Europeu que nas décadas de 80 e boa parte de 90, era parcialmente “fechada”.

Talvez esse fato pode ter sido fundamental para que esses craques se tornassem ídolos no Operário e Comercial, os dois clubes de maiores projeções futebolística no cenário estadual e com isso, eles permanecem o tempo suficiente para consolidar uma relação duradoura com a torcida.

Convocação

Desde domingo (7), a imprensa da Capital de MS vem noticiando com “ênfase”, a convocação do jogador Éderson José dos Santos Lourenço da Silva, que integrou a delegação da seleção brasileira para a disputa da Copa do Mundo, a ser iniciada neste dia 11, em um dos três países sedes, os Estados Unidos.

É inegável que tal fato deve sim, ser enaltecido, elogiado, afinal um campo-grandense integra o elenco da seleção brasileira, fato esse que não acontecia há 32 anos.

Mesmo diante de tanta euforia, não se pode esquecer ou nem esconder que, o referido jogador quando ainda criança deu os seus primeiros chutes na bola no time de futebol Instituto Bola de Ouro, uma das muitas “Escolinhas de Futebol” existente na Capital de MS, sendo que essa especificamente está localizada no Bairro Tiradentes, na região do Bandeira, mas nunca defendeu as cores de um time da Cidade Morena!

Tal fato não se sabe se foi por falta de oportunidade ou algo que o valha, mas o certo é que não se sabe o motivo pelo qual o mesmo não chegou ao menos a ser “olhado” por algum dos clubes existentes na Capital de MS, é em seguida, o mesmo foi levado para o clube Empresa Desportivo Brasil, onde foi devidamente inscrito no futebol brasileiro e passou a treinar na cidade de Porto Feliz.

Sendo um Clube Empresa, pertencente ao grupo Traffic que ao lado do empresário José Hawilla, montaram o clube com propósito de formar e preparar jovens valores, tal como foi o caso do campo-grandense Ederson, que em seguida ganhou projeção no Cruzeiro de Minas e depois ganhou o mundo e agora convocado para a Seleção Brasileira, para os jogos da Copa do Mundo.

No entanto, a imprensa que hoje enaltece a convocação do jogador Éderson para integrar a seleção brasileira, não pode esquecer da convocação do jogador e também campo-grande Muller.

Em comum

Tanto Muller como Ederson, tem em comum, o fato de nunca terem defendido nenhum dos times profissionais existentes na Capital ou até mesmo no Estado de MS, quem mais se aproximou, quem “bateu na trave” foi o ex-jogador do São Paulo,  descoberto nas categorias de base do Operário quando este ainda tinha a sigla F.C e a poliesportiva, localizada próximo ao Embrapa, região sudoeste do Estado de MS, na saída da cidade, rumo ao município de Terenos, onde o elenco operariano realizava os seus treinamentos.

Muller, ao contrário de Éderson, ainda chegou a participar de algumas partidas válidas pelo campeonato da categoria de juniores, competição essa que antes era disputada com muita rivalidade e descoberto por “seo” Elói do Carmo, o jogador foi levado para o São Paulo FC que em “troca”, cedeu quatro jogadores ao Operário entre os quais o goleiro chamado Tonhão.

Pratas da Casa

Como todos sabem, o futebol de MS e em particular da Capital, sempre foi rico em novos talentos e as chamadas hoje de “joias” eram descobertas, lapidadas e trabalhadas pelos incansáveis “seo” Elói do Carmo, com o seu “olho clínico”, que aos domingos, ao lado do companheiro inseparável,  Lincon, vasculhavam os campinhos de futebol em buscas dessas joias ou então promoviam com grande sucesso, as chamadas “peneiradas”, com participação de 150 200 meninos que sonhavam em jogar futebol, no entanto, esse tipo de atividade não existe mais nos dias de hoje, no agora chamado de futebol moderno, mas que servia  para descobrir os novos valores que selecionados, passavam a partir de então, a integrar os clubes onde a atividade era realizada e depois de passarem pelas categorias juvenil e juniores, integravam o elenco de profissionais.

No Operário tinha a dupla “seo” Elói do Carmo e Lincon e na Vila Olímpica, local de treino do Comercial, tinha o também incansável Mauro Belarmino.

Esse preâmbulo foi para chegar aos jogadores que de fato escreveram suas ricas histórias no futebol da Capital de MS e mesmo com a longevidade do tempo, afinal são mais de 40 anos mas mesmo assim, não podem e sem devem ser nunca esquecida, principalmente por parte da imprensa que informa aos torcedores mais novos.

Jogadores

Na época em que os jogadores brilhavam no gramado do Morenão, o mesmo recebia público em torno de 10, 15 mil pessoas que acompanhavam o campeonato estadual e tinham a certeza que, em dias de jogos, eles assistiriam a verdadeira arte de jogar futebol, prática essa que para eles era exercida com certa facilidade e muito brilho, mas muito difícil nos dias de hoje.

Destaques

Nessa seleta e invejável lista de jogadores que pode ser chamados de craques, mas que nasceram antes do tempo e descobertos nos times e depois se exibiram para os torcedores da Capital de MS e ganharam o país e até mesmo alguns países europeus estão, na parte mais alta da prateleira. No entanto isso foi muito pouco pelo muito que eles representaram na modalidade e por isso, mereciam maior e melhor destaques, com exibições das suas fotos,  com as camisas do Operário e Comercial.

Cocada, lateral direito do Operário, que integrou e defendeu o mesmo Flamengo que tinha Zico e Cia e depois em 1.988, marcou o gol do título de campeão pelo Vasco da Gama, contra o mesmo time rubro-negro.

Esses gol que além do título conquistado pelo Vasco, tem outra história muito particular do jogador Cocada, pois o mesmo entrou na partida aos 43 minutos do segundo tempo, fez o gol aos 44 e foi expulso aos 45 minutos, pelo fato de ter tirado a camisa em campo, durante a comemoração;

Para comemorar o gol marcado, Cocada tirou a camisa e com isso, acabou sendo expulso (Foto: Arquivo)

Zagueiro Amarildo, dono de um portentoso chute foi também descoberto pelo Operário, contratado pelo Palmeiras e depois negociado para o futebol português, jogado no Marítimos de Funchal, na Ilha da Madeira, em Portugal.

Lateral esquerdo Gilson, também do alvinegro, que foi negociado com o Santos, depois o Cruzeiro de BH.

Centroavante Lima, um dos maiores jogadores da posição no Brasil e que após defender o Galo da Bandeirantes (chavão esse que não existe mais), foi contratado pelo Grêmio, depois pelo Benfica de Portugal, de onde retornou para o Inter de Porto Alegre, depois defendeu o Corinthians, Santos entre outros times.

Lima,um dos maiores centroavantes já descoberto no futebol de MS e que brilhou no Brasil (Foto: Google)

Cido, ponteiro direito descoberto pelo Comercial e foi negociado com a Ponte Preta de Campinas.

Cido foi o tipo de ponteiro vertical e o mesmo fez o nome de diversos centroavantes, pois com os seus cruzamentos milimétricos, os atacantes fizeram muitos gols e entre eles estão Silva, Índio, Fernando Roberto, entre outros.

Descoberto pelo Comercial, ponteiro direito Cido que defendeu a Ponte Preta, exibe o vasto material colecionado na época do Morenão (Foto:Google)

O meio campista Biro-Biro, também revelado pelo time colorado e que em um jogo contra o Palmeiras, no Morenão, quase “matou” o então técnico Rubens Minelle que do túnel – pois na época não tinha a tal área técnica – gritava: “cuidado com o loirinho”, pois tamanha era a qualidade técnica do mesmo. Outro Craque!

Na época, as diretorias do Comercial e a do Palmeiras, iniciaram a negociação, no entanto, o Guarani de Campinas, um dos clubes mais estruturados na época, “atravessou” a negociação e acabou chegando primeiro e levou o jogador que atuou ao lado de outros craques como Jorge Mendonça, Zenon entre outros.

Nelsinho, ponteiro direito, também do Comercial que era chamado de “Charles Chaplin”, pois encantava a todos com os seus desconcertantes dribles e foi negociado com o futebol paranaense.

Nelsinho e Cido, mesmo sendo ponteiros direito, não tinham as mesmas características. Cido tinha os dribles verticais enquanto que Nelsinho, por instituto mesmo, gostava de “humilhar” os seus marcadores, tipo Garrincha, pois enquanto o marcador não “abria as pernas” para tomar a agora chamada de “caneta”, ele não se contentava e com isso, arrancava os aplausos dos torcedores.

Lateral direito Paulo Rezende – Paulinho – apontado por muitos como um dos mais raçudos jogadores que já defendeu não apenas o Comercial, mas de forma geral os times onde jogou, principalmente norte e nordeste, onde defendeu os times com maiores torcidas nos principais Estados dessas regiões.

Depois o mesmo também defendeu o Operário.

A lista é bem maior ainda, no entanto, a princípio foram esses que de fato, além de terem marcado território no gramado do Morenão, deixaram escritas as suas ricas histórias em letras “cursivas inglesas”, devido à beleza, a elegância no toque, na condução, da bola, na garra e no amor em defender o time de Campo Grande que os projetou para o cenário nacional e também internacional.

Tal como disse o ex-jogador Zico, em recente entrevista a um Podcast, que contestou de forma veemente, a denominação do “artilheiro do novo Maracanã”, quando na verdade ele é o artilheiro único do referido estádio de futebol que com as mudanças, mas se manteve no mesmo local e assim, também, tal como a convocação do jogador Éderson, que já  está integrado aos demais jogadores  da seleção brasileira para a Copa do Mundo, nos EUA, sucesso ao mesmo, mas sem que esqueçamos, dos craques que brilharam no Morenão que prestes a ser reformado, tal como está no novo projeto, não poderá e nem deverá apagar a linda e rica história escrita por esses jogadores que foram efusivamente  aplaudidos pelos torcedores que os conheceram de perto.

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