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Campo Grande, sexta-feira, 22 de maio de 2026.

Muito rico, o livro serviu como curativo em vários aspectos da vida dela da nova escritora Clara Taís (Foto: Divulgação)
Nesta quinta-feira (28) será o lançamento e a noite de autógrafos da escritora Clara Taís Cardoso Toro, ex-aluna do Centro de Educação Especial Girassol (CEDG/APAE), localizado na Avenida Joana D’Arc, no bairro Pioneiros, na região do Anhanduizinho.
O lançamento bem como a venda dos livros, acontecerá nas dependências do próprio Centro de Educação Especial Girassol (CEDG/APAE), no endereço acima mencionado, a partir das 14h.
O livro foi escrito pela ex-aluna Clara Taís Cardoso Toro que agora ganhou páginas, palavras e sentimentos compartilhados com o mundo e se revelou como a primeira escritora da entidade e que já vem colhendo o sucesso esperado e merecido.
No livro “Pontes de Afeto”, conectando os mundos, Clara Taís relata histórias que aproximam, pontes que transformam”, uma obra profundamente sensível e marcada pela coragem de revisitar a própria história para transformar dor em cura.
Por ocasião da tarde de autógrafos, Clara Taís pretende reunir os familiares, amigos, profissionais e todos aqueles que desejam conhecer de perto a história de uma mulher que encontrou na escrita uma ponte entre suas vivências.
Clara Taís
Aos 30 anos, Clara Taís carrega uma vida repleta de experiências intensas. Diagnosticada com deficiência intelectual, transtorno do espectro autista, atrofia cerebelar e deficiência no desenvolvimento global, ela decidiu compartilhar sua visão de mundo com autenticidade e delicadeza. O sonho de escrever nasceu ainda na infância, quando ela tinha apenas sete ou oito anos. Décadas depois, o desejo guardado no coração finalmente se transformou em livro.
Mais do que um relato pessoal, “Pontes de Afeto” é um testemunho sobre resiliência, acolhimento e a força das conexões humanas. A obra percorre memórias felizes da infância, mas também enfrenta momentos difíceis vividos por Clara, especialmente durante a adolescência, período em que ela relata sentimentos de exclusão e inadequação.
Segundo Clara, a escrita foi uma forma de reencontrar partes de si mesma. Para tornar o sonho possível, ela contou com o apoio da mãe, Edina Cardoso e da amiga Mara Calvis, organizadora da obra. Em um processo construído com muito carinho, mãe e filha revisitaram lembranças, sentimentos e experiências que precisavam ser verbalizadas.
“Sentei com a Clara e fomos elencando tudo que ela queria escrever no livro. Eu escrevia, depois lia para ela. Quando precisava, ela complementava do jeito dela. Eu fui sendo a mão dela para escrever a história dela”, relata Edina.
Ainda segundo a mãe, o processo de construção do livro foi também um caminho de cura emocional.
“Para a Clara foi muito rico, porque foi curativo em vários aspectos da vida dela. Existiam situações mal resolvidas que ela não queria revisitar. Mas, nesse processo, ela enfrentou, voltou nesses lugares e superou muitas dores”, destaca.
A obra também chama atenção pela proposta inclusiva. Todo o texto foi escrito em letras maiúsculas para facilitar a leitura, tornando o livro mais acessível para Clara e para outros leitores que se beneficiam desse formato. O cuidado reforça o propósito da publicação: construir pontes de compreensão, respeito e inclusão.
Ao longo das páginas, Clara compartilha reflexões profundas sobre pertencimento, preconceito e acolhimento. Em um dos trechos mais marcantes, ela relembra o período em que se sentia “invisível, estranha e inadequada”, ao vivenciar uma inclusão que, segundo ela, existia mais na teoria do que na prática. Sua narrativa, no entanto, não se prende à dor, ela transforma experiências difíceis em aprendizado, sensibilidade e esperança.
Para o CEDEG/APAE, acompanhar a trajetória de Clara é motivo de orgulho e emoção. “A instituição fez parte importante de sua caminhada, oferecendo acolhimento, desenvolvimento e apoio em diferentes fases da vida. Hoje, ver uma ex-aluna lançar um livro tão verdadeiro e transformador simboliza também a importância de acreditar no potencial, nos sonhos e na voz de cada pessoa”, afirmou a diretora pedagógica da unidade escolar, Helciane Franco.
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