Tudo sobre a região do Anhanduizinho
Campo Grande, segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026.

Muitos nem lembram mais, enquanto que os mais novos nem sabem, mas o Operário já conquistou titulo de Campeão Brasileiro em 1.988 (Foto: Google)
É, como diz o ditado: “antes tarde, do que nunca!”
Esse dito popular vai diretamente ao Operário antes FC e hoje SAF, pelo belíssimo feito conquistado no dia 31 de janeiro de 1.988.
Portanto, há 38 anos, o então Operário F.C. conquistava o título de Campeão Brasileiro do Módulo Branco, competição essa devidamente avalizada e oficial, com o aval da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que a atual diretoria do próprio clube, torcedores e os sites que ainda retratam a modalidade, fazem questão ou quase de ignorar ou de uma vez por toda, de esquecer mesmo!
Se a brilhante e memorável conquista completou no dia 31 de janeiro, passado, 38 anos, claro que talvez milhares de torcedores operaríamos nem saibam dessa conquista que é de fato o Maior Orgulho dos torcedores raízes mesmo, pois o clube ao longo dessas anos, foi aos poucos perdendo a sua memória, tanto que o lindo troféu denominada como Taça Rubem Moreira e entregue após o jogo ao então Capitão do time, o zagueiro Celso (In Memoriam), pelo diretor da CBF Ildo Nejar, acredito que ninguém sabe ao certo do seu paradeiro.
O time jogou pelo campeonato estadual neste domingo (1º) em Ivinhema, confesso que não sei se a diretoria fez alguma menção a respeito da inesquecível conquista ou se ao menos os atuais jogadores que compões o atual elenco sabem desse feito histórico no futebol brasileiro, que muitos não sei o porque, fazem questão de apagar!
Quanto ao nome da Taça conquistada com o título de Campeão Brasileiro do Módulo Branco –Rubem Moreira – foi uma homenagem prestada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ao pernambucano que foi grande desportista em seu estado natal, onde ficou durante 27 anos à frente da Federação Pernambucana de Futebol.
Portanto uma justa homenagem a quem se dedicou boa parte da vida à modalidade.
Crise na CBF
Na época, em 1.987, devido à grande crise financeira, a entidade decidiu dividir o Campeonato Brasileiro em módulos e com isso, foram criados os módulos Verde, Amarelo, Azul e Branco, que na verdade pouco serviu para aplacar a revolta dos grandes clubes que formaram então o “Clube dos 13” para organizar sua própria competição, a Copa União.
Lembrando que o Operário integrava esse grupo de elite do futebol brasileiro, mas por falta de experiência e maturidade dos dirigentes levou uma rasteira muito bem aplicada e acabou ficando de fora.
Módulo Branco
Na época, o presidente do Operário FC. Foi o empresário Oswaldo Durães, apontado pela maioria dos torcedores como o melhor mandatário que o clube já teve desde a sua fundação.
Como foi frisado acima, devido à crise financeira instalada na hoje riquíssima CBF, a entidade pouco ou nada ajudava os times participantes dos demais módulos, exceto o verde, que era composto ou formado pelos “melhores” times do Brasil.
Com isso, praticamente cada time participante deveria arcar boa parte com os custos das suas participações.
Participantes
Do Módulo Branco, participaram 24 times, na disputa da Taça Rubem Moreira.
Operário F.C., ficou no grupo 1, ao lado do Mixto e Operário de Várzea Grande, ambos de Cuiabá e Sobradinho, do Distrito Federal.
Também sem muito dinheiro e com o custo da participação muito elevada, o presidente do clube, Oswaldo Durães, ao lado do diretor de futebol Ari Rodrigues (In Memoriam), apostaram em um elenco formado mais com os famosos jogadores “caseiros”, descobertos pelo “olho clínico” do futebol de MS, o saudoso “seo” Elói do Carmo (In Memoriam) que em campo acabaram se revelando como os grandes craques da competição.
Para se ter uma ideia, do time titular, ou seja dos 11 que entravam em campo, nada menos que sete eram os chamados “prata-da-cada”, pratas essas que nos dias de hoje, seriam verdadeiro “ouro” de 24 quilate, o maior e de melhor qualidade, com categoria refinada, e com isso eles possuíam quase que 96% de qualidade do melhor futebol.
Do time principal participavam o goleiro: Marquinhos, o lateral direito Anchieta, lateral esquerdo Gilson, volante Marquinhos, (outro) pois na época ainda não usam os nomes compostos, o zagueiro e capitão Celso (In Memoriam) o ponteiro direito Cido, que fez muitos atacantes famosos com os seus milimétricos cruzamentos e outro “cracaço” de bola, que jogava também como meia armador, Biá.
O então “timaço” era completado “forasteiros” também com ótima qualidade técnica, Jorge Luis, o atacante Silva, o ponta de lança) hoje não tem mais essa função) Guina, que veio do Palmeiras e Bugre, não aquele que defendeu o Comercial, outro jogador mas com o mesmo apelido.
O primeiro jogo, a torcida ficou desconfiada, pois atuando em Cuiabá no então antigo estádio José Fragelli, que após as reformas para o Mundial de 2.014 passou as ser denominado como Arena Pantanal, o time acabou sendo derrotado pelo placar de 2 x 1.
Mesmo sob intensa dúvida, a torcida prestigiou o time e foi em grande número ano Morenão, que na época existia e funcionava plenamente, onde o Galo, mostrou a sua força e aplicou a goleada pelo placar de 4 x 0 no Sobradinho (DF) e em seguida, derrotou o Operário de Várzea Grande (MT), por 1 x 0.
As duas vitórias seguidas devolveram a confiança aos jogadores do time e a certeza que o mesmo estava no caminho certo aos torcedores que passaram a acreditar muito mais na possibilidade de o time avançar de fase, pois restavam ainda os jogos da volta, o chamado returno.
No primeiro deles, o time voltou a vencer o Sobradinho no estádio Mané Garrincha que tal como o José Fragelli em Cuiabá, passou por reformas para Copa do Mundo de 2.014 e se tornou Arena, onde o Corinthians neste domingo (1º) derrotou o flamengo por 2 x 0 e ficou com o título de campeão da Super Copa do Brasil. Na época, o galo venceu por 1 x 0 e de quebra, em Cuiabá, voltou a vencer o Operário de Várzea Grande por 2 x 1 e encerrando a fase classificatória, jogando no Morenão, o time foi derrotado por 1 x 0 para o Mixto de Cuiabá.
Na somatória dos pontos, o Operário se classificou para a 2ª fase, como vice líder do Grupo 1.
Na chamada 2ª fase, seria disputado apenas um jogo, mas mesmo assim, o gasto da delegação aumentou muito mais, pois na época, a CBF liberava apenas 26 passagens e os demais integrantes da delegação tinham que desembolsar para acompanhar o time, além de pagar a hospedagem e alimentação.
Para complicar, o adversário foi o time da Catuense, da Bahia.
O primeiro jogo foi disputado no Morenão que já recebeu mais de 15 mil torcedores que saíram felizes da vida e cantando alto, com a vitória pelo placar de 2 x 0, placar esse que significava “meio caminho andado para a 3ª fase”.
No entanto, no jogo de volta, uma grande baixa no time até então titular, pois o atacante Silva, suspenso não pode ser escalado, mesmo assim, o presidente do clube, Oswaldo Durães bancou a passagem, hospedagem e alimentação do jogador, pois ele entendia que naquele momento, o elenco, o grupo deveria manter a união e a presença do centroavante era importante.
No primeiro momento, a delegação desembarcou em Salvador de onde seguiu em ônibus especial para a cidade Catu, localizada a 95 quilômetros de distância da Capital Baiana.
No Estádio Municipal Antônio Pena, conhecido como “Penão”, o Galo por pouco não “depenou” o time da casa com quem empatou por dois gols, garantindo a passagem para a 3ª fase do Campeonato Brasileiro do Módulo Branco.
3ª fase
Nessa fase, o Operário FC encontraria de novo com o Mixto de Cuiabá e tem um antigo adágio popular que diz o seguinte: “quem bate esquece, mas quem apanha, não!”
Pois é, na primeira fase, nos dois jogos, o Mixto de Cuiabá levou vantagens e essa retrospectiva, deixava uma pulga atrás da orelha dos torcedores, mas que àquela altura, já demonstrava muita confiança no time e estavam prontos para enfrentarem o time cuiabano.
No primeiro jogo, disputado no Morenão – que ainda funcionava plenamente – maiúscula vitória do Galo, pelo placar de 2 x 0.
O resultado obtido no primeiro jogo, dava plena confiança ao time que no jogo de volta, garantiu a vaga para a decisão, ao empatar por dois gols contra os mixtenses.
Triangular final
Com o resultado obtido no Estádio José Fragelli, em Cuiabá, o Operário se garantiu no triangular final, de onde sairia então o Campeão do Módulo Branco, campeonato esse que mesmo sem o devido apoio financeiro da CBF, mas foi promovido e organizado pela referida entidade.
Do triangular final, participaram o Operário FC, Botafogo da Paraíba e Paysandu de Belém do Pará.
Pra complicar, o primeiro jogo do Galo foi contra o Botafogo, da Paraíba, no estádio José Américo de Almeida Filho, famoso “Almeidão”, onde o Galo jogando futebol de primeira categoria, conseguiu empatar sem gols e com isso, a decisão seria contra o Paysandu, no Morenão.
Na ocasião, o jogo foi dirigido pelo árbitro paulista, Renato Marsiglia e foi presenciado por um público de aproximadamente 20 mil torcedores.
Gol no segundo tempo
Como em todas as decisões, a partida é minuciosamente estudada e pode chegar a vitória quem menos errar e foi isso que aconteceu com o Operário quando no segundo tempo, em uma linda investida do ponteiro direito Cido, o mesmo acabou sendo derrubado dentro da área e Renato Marsiglia, de forma incontinente, apontou a marca da cal.
No Galo, o cobrador oficial era o meia Guina, que tinha estourado a idade da categoria de júnior no Palmeiras e foi emprestado ao Operário.
O gol que deu ao Operário FC, o título de Campeão Brasileiro do Módulo Branco, aconteceu aos 39 minutos do segundo tempo e o mesmo foi marcado no gol que dava vistas ao antigo placar eletrônico que hoje igualmente ao estádio Morenão, não existe mais.
Com a vantagem no marcador, o time alvinegro soube segurar o ímpeto do paraense até o apito final para a super festa da torcida, no dia 31 de janeiro de 1.988.
Campanha
Para ser Campeão Brasileiro pelo Módulo Branco, o Operário FC disputou 12 jogos, obtendo sete vitórias, três empates e apenas duas derrotas. O time marcou 19 gols e sofreu nove.
O presidente do Clube, era Oswaldo Durães, diretor de Futebol Ari Rodrigues e o time teve ao longo da competição, a seguinte formação:
Marquinhos; Anchieta, Celso, Jorge Luiz e Gilson; Marquinhos II, Biá, Bugre e Guina; Cido e Silva.

Pouco lembrado atualmente, mas o Operário conquistou de fato, um titulo no campeonato brasileiro organizado pela CBF (Google)
0 Comentários